sábado, 4 de abril de 2009

Cenários da Educação Superior: Conflito de Interesses e Realidades Opostas

Aceitar concorrência em se tratando de Educação Superior limita nossa concepção de que a educação transcende esta perspectiva, ou seja, é difícil imaginar e aderir ao modelo imposto pelo capital, quando se pensa que a educação, longe dos finalismos corporativos é uma possibilidade de libertar o homem de suas limitações intelectuais.
Muitos países endividados “terceirizaram” ou “venderam” sua cultura e seus programas educacionais por um punhado de dólares, pois não só trouxeram conseqüências graves ao contexto cultural de muitos povos, mas descaracterizaram a realidade social de países que longe de conhecerem sua própria realidade, sabem onde fica Manhattan nos EUA.
Essa violência cultural propagou-se diante dos olhos de muitos gestores públicos, sem que houvesse uma reflexão no caminho.
Aceitar a concorrência intelectual de instituições privadas internacionais não só ferirá nossa cultura, quanto levará muitas IES nacionais recentes ao calabouço.
Os discursos de reitores e gestores de IES particulares parecem conduzir para seus próprios interesses, solicitando mais investimento e atenção do governo. Não se observa na mesma proporção um programa nacional de qualificação do Ensino Docente.
Um programa de Estado consistente e sério deveria Instituir que para cada uma IES particular, uma nova IES Pública deveria ser oferecida, para atender as necessidades de classes menos favorecidas e ao mesmo tempo redistribuir os investimentos de forma vertical a todas as Instituições de Ensino.

José Tadeu Barbalho
Tamara Damasceno

(Pedagogos, Especializandos do Curso de Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior-Faculdade da Amazônia)

Um comentário:

  1. Tadeu e Tamara,primeiramente parabenizo a dupla por ser a primeira a postar suas críticas em forma de texto. Acredito que este processo de socialização em forma digital favorece a velocidade de nossas discussões em cenario nacional e até internacional. Sobre o texto postado percebo a clareza da critica no sentido de compreender esta separação perversa entre o público e o privado. Os interesses de pequenos grupos superam as perspectivas de mudanças e de práticas no ensino superior voltadas para um fazer consciente do profissional da educação. Esta pseudo-desobrigação estatal em serviços essenciais à população reforça as práticas neoliberais e como consequencia dilatam as desigualdades sociais no Brasil. A pergunta é: até quando ficaremos de braços cruzados para este processo perverso e desumano na educação?

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